Este blogue pretende ser um local de partilha e discussão sobre a educação para o desenvolvimento.
quarta-feira, 26 de março de 2014
terça-feira, 25 de março de 2014
As Casas do Mundo
Nesta aula falámos sobre as diferentes casas do mundo. Perguntei se conheciam algumas. Como é que as imaginavam.
Mostrei um conjunto de fotos sobre algumas construções típicas de diferentes áreas do planeta. Perguntei por que motivo as casas tinham aquela aparência. Por que razão os materiais não eram sempre os mesmos.
Os alunos concluíram que as pessoas construíam com os materiais que tinham disponíveis na natureza. Nas grandes cidades era possível construir de outras maneiras, pois lá chegavam outros materiais vindo de outras zonas do planeta.
No final eles puderam colorir a sua casa preferida.
Aqui ficam esses trabalhos:
segunda-feira, 24 de março de 2014
FOOD ART
Desta vez abordámos o tema da alimentação. Como não tínhamos muito tempo este era o trabalho ideal para explorar esse assunto.
Os alunos divertiram-se imenso a fazer este trabalho! Foi uma experiência única para eles! Confessaram-me que nunca tinham imaginado que se podia fazer arte com comida. Aqui estão alguns dos resultados.
SOU UMA ÁRVORE - DIA DA ÁRVORE 21 DE MARÇO
As crianças devem ser expostas a desafios!
Participar activamente na construção do próprio conhecimento é muito mais
estimulante do que ser um sujeito passivo nesse processo.
Objetivo:
- Propor às crianças uma reflexão sobre a importância das
árvores;
- Perceber a importância da sua preservação;
Preparação:
Os alunos recebem uma pequena
ficha que devem preencher em casa e na escola. Pode ser dobrada na forma de um
livrinho. Essa ficha visa responder à pergunta de partida deste tema: Para que
servem as árvores?
Introdução:
Em pé e à vontade propomos
aos alunos que imaginem ser uma árvore. Texto de indução: Agora vão fechar os
olhos. Hoje vocês são árvores e vivem numa grande floresta rodeadas por muitas
outras árvores de todos os tamanhos e feitios. Agora têm de pensar e
comportar-se como árvores! Como é que tu és? Para que serves? Como é que te
alimentas? Como te sentes? O que é que te faz feliz? O que ouves? O que
gostarias de ser?
Colocar uma pergunta de
estimulação. Onde é que a madeira das árvores é usada no dia-a-dia? Dar
exemplos.
Fazer um inventário de todo o material da sala/escola que é feito em madeira.
Fazer o mesmo inventário mas agora no espaço de casa.
Na aula seguinte os alunos devem dar feedback sobre os objectos de madeira que encontraram em casa. Devem discutir a importância das árvores no nosso quotidiano.
Fazer um mural sobre o dia da árvore.
Fazer panfletos sobre a
importância das árvores para a vida humana.
Os nossos trabalhos!
sexta-feira, 21 de março de 2014
quinta-feira, 20 de março de 2014
A educação no contexto da
globalização
Na
sua introdução ao livro Educação e
desenvolvimento económico: contribuição
para o estudo da natureza presente de uma relação, (Mesquita, 2000) afirma
que: “existe hoje, como talvez nunca tenha acontecido no passado, um “consenso”
quase esmagador sobre a importância central da educação no desenvolvimento
económico dos países e das regiões”. A educação assiste atualmente segundo este
autor a uma espécie de “remake” daquilo que aconteceu nas décadas de 60 e 70
embora numa perspetiva um pouco diferente, a aposta não numa massificação do
ensino, mas sim numa aposta da qualidade do produto educativo ministrado, mas
com a mesma finalidade económica.
Num
mundo multifacetado onde a globalização promoveu políticas educativas
internacionais pelas ações de organizações como a OCDE e a UNESCO, a teoria do
capital humano é novamente recuperada. A existência de um mercado de trabalho
global exige trabalhadores polivalentes capazes de se adaptarem rapidamente às
transformações da sociedade.
É
neste quadro que segundo Mesquita (2000) se insere o denominado “livro branco”
da Comissão Europeia Ensinar e Aprender –
Rumo à Sociedade Cognitiva (Comissão Europeia, 1995). Este documento enuncia
três grandes motores para as metas da educação na sociedade globalizada: a mundialização das trocas, o advento da sociedade da informação e a aceleração da revolução científica e
técnica. Como consequência destes três motores assiste-se à necessidade de
aumentar as qualificações de modo a responder a um mercado de trabalho sem
fronteiras, à necessidade de adaptar-se às novas complexidades de trabalho mais
autónomo e variado, e por fim imbuir-se de uma cultura científica e técnica.
Tal
como afirma (Mesquita, 2000) “as políticas educativas dos governos passam a ser
uma componente fundamental das políticas económicas”. Desta forma, a educação
passa a ser orientada por critérios empresariais de eficiência e rentabilidade.
Esta tendência acompanha a tentativa de penetração do capital privado em áreas
lucrativas normalmente administradas pelo estado.
A
corroborar esta ideia diz (Hill, 2003):
A
reestruturação mundial dos sistemas de ensino e educacionais faz parte de uma
ofensiva ideológica e política neoliberal. A privatização dos serviços
públicos, a capitalização e a reificação da humanidade e dos comandos globais
das agências do capital internacional – apoiados pela desestabilização de
governos que resistem e, por fim, pelas cavalarias armadas dos EUA, seus aliados
e mandatários – resultam na criação de mercados competitivos quase globais (se
não universais) para os serviços públicos e aqueles voltados ao bem – estar
social, tais como a educação. Estes mercados educacionais são marcados pela
seleção, exclusão e são acompanhados por, e situam-se dentro de, um quadro de
crescimento exponencial das desigualdades, quer no âmbito da nação, quer
internacionalmente (Hill, 2003, p. 25).
Ora
estas visões mostram claramente que a educação contínua a seguir uma lógica económica.
Ainda
dentro desta problemática surge a crítica de Mesquita (2000) e Oliveira (2005) ao
relatório feito pela “The European Round Table of Industrialists” (1995) que
embora foque a necessidade de educar “homens completos”, como se pode ler no
seguinte excerto:
A
missão fundamental da educação é ajudar cada indivíduo a desenvolver todo o seu
potencial e a tornar-se num ser humano completo, e não numa ferramenta
económica. A aquisição de conhecimentos e de capacidades deve ser acompanhada
por uma educação do carácter; por uma abertura cultural e por um estímulo à
responsabilidade social.” (ERT, 1995:15 cit
in Oliveira, 2005, p.78).
a
boa intenção é segundo este autor muito ténue, uma vez que o que está em causa
é: “ uma conceptualização da educação que funcione não ao serviço do
desenvolvimento do indivíduo enquanto cidadão capaz de intervir civicamente na
sociedade e fazer escolhas, mas ao serviço dos interesses da sociedade económica
que predomina…” (Oliveira, 2005, p. 78). Esta ideia é apoiada no texto
transcrito por Oliveira (2005): “O mundo industrial tem necessidade de
indivíduos empreendedores e não de robots. As empresas têm necessidade de
indivíduos autónomos, capazes de se adaptar a permanentes mudanças e de
ultrapassar continuamente novos desafios” (Oliveira, p. 78).
Verifica-se nesta transcrição,
precisamente essa estreita orientação da educação à esfera produtiva, surgindo
a escola como “produtora de homens completos”, segundo uma perspetiva
empresarial.
Na sequência deste pensamento (Ball,
2001) aponta o dedo às lógicas economicistas onde afirma que:
estamos
a assistir ao desaparecimento gradual da concepção de políticas específicas do
Estado Nação no campos econômico, social e educativo e, concomitantemente o
abarcamento de todos estes campos numa concepção única de políticas para a
competitividade econômica, ou seja, o crescente abandono ou marginalização (não
no que se refere à retórica) dos propósitos sociais da educação (Ball, 2001, p.
100).
Na prática assiste-se a um
estreitamento entre a orientação política e a económica que, em conjunto vão
gradualmente, definindo as prioridades educativas, de modo a que todo o
universo da educação seja gerido como uma empresa, desde a administração até à
elaboração dos currículos.
Segundo,
Hill (2003) o neoliberalismo resultou em:
Uma perda de equidade, e da justiça
econômica e social;
Uma perda de democracia e da
responsabilidade democrática;
Uma
perda de pensamento crítico dentro de uma cultura de desempenho (Hill,
2003, p. 28).
Perante,
esta lógica de vigência de interesses privados e a consequente colocação em
causa de valores tão fundamentais como o da democracia, do exercício da
cidadania e da qualidade das aprendizagens, várias têm sido as intervenções,
cuja, a atuação é a de sublinhar os riscos que esta orientação social baseada
na competição económica coloca.
O desenvolvimento de um país depende da qualidade da educação que oferece.
Este é o mote deste blogue!
Estou satisfeita com o rumo que a educação está a tomar no meu país? Não, não estou! Sou mãe e professora e vejo que a escola pública está a deixar todos infelizes!
A escola actual preocupa-se simplesmente com a capacidade de reprodução dos conteúdos por ela veiculada. A atenção não está centrada no processo mas nos resultados. É preciso atingi-los não importa como! Nem que seja à custa da infelicidade e saturação de alunos e professores.
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